O Festival#

A Casa Rockambole recebeu a primeira edição do No Hope Fest, encontro que reúne diferentes vertentes da música experimental, do noise ao metal, passando por eletrônica e performances sonoras.
Com shows acontecendo nas duas pistas da casa, o festival apresentou uma noite intensa de experimentação sonora, encontros e energia ao vivo, reunindo artistas do Brasil e do exterior que transitam entre música extrema, improvisação e novas linguagens.
A ideia do festival foi tomando forma durante as “No Hope Tour”, turnês feitas em conjunto entre Test e Deafkids, com a intenção de expandir o nome que caracteriza a união das duas bandas.
Agora, além das turnês conjuntas entre as duas bandas, também temos o disco Sem Esperanças, e o “No Hope Fest”.
Artistas#
Felinto & Boris Percus#

A exploração do dub, das muitas camadas da música eletrônica, e uma sensibilidade atmosférica única, são o que compõe o trabalho de Felinto. Depois de colocar o velho continente pra dançar, ele retorna para mexer com a alma do público do festival, acompanhado de Boris Percus, virtuose do Tambor Bèlê, uma força da natureza que combina precisão e intencionalidade na maneira em que interage com os beats psicodélicos de Felinto.
“Explorando sintetizadores e sons eletrônicos acompanhado do percussionista martinicano Boris Percus, em uma jam session que aproveitava ao máximo as polirritmias e grooves nascidos da música afro-diaspórica. O mix entre eletrônico e analógico que ainda teve participação de Mariano Sarine (Deafkids) fazendo percussões adicionais.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Vermenoise e Cerne#

O grindcore do Vermenoise já impacta ouvidos e mentes pela violência e concisão. Somado ao noise virulento do Cerne, se cria uma parede de som intransponível, de onde não se escapa, cuja única escolha é render-se e experienciar o caos.
“As bandas Vermenoise e Cerne fizeram uma apresentação em conjunto avassaladora e ensurdecedora. Começaram em um ritmo lento e progressivamente pesado, com ecos de drone e noise reverberando e crescendo em um caos generalizado (no melhor dos sentidos). Em uma cena onde o metal às vezes é demasiadamente polido e produzido, é bom ver bandas que ainda injetam uma bem-vinda dose de sujeira e gordura na coisa toda.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Rádio Diáspora e Paola Ribeiro#

“Paola se mostra uma adição muito bem vinda e integra cantos, sussurros, gritos e onomatopéias ao improviso promovido por Rômulo Alexis (trompete) e Wagner Ramos (bateria, samplers). É uma tentação simplesmente chamar tudo de “jazz”, até mesmo pelo trompete de Rômulo Alexis ditando as melodias; mas o que acontece ali é música sem rótulos, com forte conexão ao legado do continente africano espalhado pelo mundo. Visualmente, também foi uma performance bonita de ver, que começou com o salão numa quase penumbra, exceto por algumas luzes verdes sendo refletidas na parede e outras que piscavam, em contraste com as notas que surgiam da conversa espontânea entre Rômulo, Wagner e Paola.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Kenya20hz#

Com muitas pistas ao redor do mundo como testemunhas, Kenya 20hz apresenta a fúria de uma música corporal, baseada em graves que invadem, trazendo energia febril pro palco do No Hope Fest - bumbos penetrantes, graves desconcertantes e uma pesquisa e produção afiadas, mexendo com os pés e mentes de quem ousar testemunhar!
“O set da DJ Kenya20hz, que botou todo mundo – metaleiros, punks e alternativos em geral – para dançar sem concessões com um set marcado pelo peso e pelos graves, inclusive com alguns drones e momentos mais minimalistas. Ou seja: apesar do contraste em termos estéticos, no fundo não era tão diferente dos outros artistas do evento. Outra boa surpresa.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Sturle Dagsland & Sjur#

“Sturle também faz um som inclassificável, que combina vozes angelicais e operísticas com alguns momentos mais aventureiros. Tudo isso acontece em meio aos drones e efeitos criados por Sjur, criando uma aura ritualística e intrigante. Uma estranheza que, após algum tempo, consegue ser até cativante.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Naimaculada#

“A nova safra do prog brasileiro vem com tudo, apontando no palco da Rockambole pra mostrar sua mistura única de várias sensibilidades diferentes e musicalidade ímpar.”
“Ricardo Paes (voz), Luís Viegas (baixo), Samuel Xavier (guitarra), Pietro Benedan (bateria) vieram acompanhados de Dudinha Freitas (guitarra) e Sol (voz), estrearam uma música nova que terá um feat de Kiko Dinucci e mostraram um peso até então inédito, pelo menos para quem só os conhece pelo disco “A Cor Mais Próxima do Cinza”. Mas mais do que o peso, foi bonito ver a performance e a alegria presentes da banda, obviamente curtindo cada momento ali. Um salve extra para Ricardo Paes, que além da voz e da presença no palco, ainda consegue criar passos de dança durante os momentos instrumentais mais progressivos da banda, na melhor escola At the Drive-in de caos controlado.”
Fábio Machado, Scream & Yell

Test & Deafkids#

““A parceria que deu certo continua! Juntando a cyberlatinidade punk do Deafkids e o avant-grind do Test, temos um show bombástico e dançante! Tocando o material do disco colaborativo “Sem Esperanças”, as bandas fazem um show igualmente brutal, convidativo, dançante e cheio de groove!
“Quando o público entrou (no teatro), encontrou um palco com duas baterias, pilotadas respectivamente por Sarine (Deafkids) e Barata (Test). Douglas Leal (guitarra/voz) se posicionava junto a Barata, enquanto João Kombi (Test) estava no lado oposto com Sarine, como se fosse uma espécie de inversão das respectivas duplas.
Não demorou muito para todo o teatro entrar em sincronia com as batidas coletivas, num set que revisita e expande os temas criados no disco “Sem Esperanças”. Em dado momento, Douglas e João largam as guitarras e se revezam nos vocais, enquanto Barata e Sarine fazem uma espécie de drum n’ bass analógico anabolizado…ou industrial tropical? A essa altura, palavras e tentativas de definição são desnecessárias.
Mais do que ficar apontando um ou outro integrante, o melhor da DeafTest é justamente passar longe da racionalização e apreciar o resultado criado pela soma dos integrantes naquele momento. E apreciar também o reflexo disso no público, que a essa altura está mais preocupado em dançar, balançando ou não a cabeça até o final da noite.”
Fábio Machado, Scream & Yell


































